28/04/2023 às 10h53min - Atualizada em 01/05/2023 às 00h00min

ARTIGO: Classe C*, poder de compra e alimentação: Motivações de decisão, hábitos, preferências dentro e fora do lar

Vamos juntos desvendar as igualdades e diferenças quando segmentamos os consumidores por classe social e algumas oportunidades e desafios para a prosperidade do setor

SALA DA NOTÍCIA Caroline Souza
Por Simone Galante

Recentemente nos indagaram sobre a diferença dos hábitos de consumo entre as classes sociais... Como especialistas no setor, nos debruçamos, inicialmente, sobre os fatos e dados que temos em nossa última pesquisa realizada entre os dias 19 a 26 de setembro de 2022, em uma metodologia quantitativa online, que abrange o Brasil todo e 1.045 entrevistas com consumidores a partir de 18 anos de idade, das classes A, B e C, sendo 40% da Classe C.

A pesquisa revelou que para o almoço em dias úteis, os locais em que os respondentes costumam frequentar com a intenção de se alimentar foram: primeiramente em casa, seguido pelos restaurantes de autosserviço (quilo ou preço fixo) e pelos restaurantes e lanchonetes de serviço rápido. E ainda, com uma relevância de 21% das respostas da amostra total, tivemos os restaurantes de serviço completo (com garçons) – neste caso, 16% dos respondentes da classe C informaram frequentar este tipo de local para o seu almoço em dias úteis.


Antes de prosseguir nas investigações para outras ocasiões de consumo é importante registrar quais foram as três principais motivações apontadas por estes consumidores na pesquisa, que os levam a consumir presencialmente em bares, restaurantes, lanchonetes e outros locais do foodservice:
 
  1. Encontro com amigos e familiares
  2. Pratos/ Menus novos e inovadores e/ ou que não podem ser reproduzidos em casa
  3.  No terceiro lugar, tivemos um empate estatístico entre:
    1. Ambientes com conceitos novos e interessantes  
    2. Almoço por conveniência/ necessidade

Tendo estas motivações na mente, nos aprofundamos, portanto, em outras ocasiões de consumo relevantes, como celebrações de aniversários, encontro com amigos, refeições no dia a dia com a família e alimentação pressionada pelo tempo.

Para o encontro com os amigos, descobrimos que a classe C se comporta da mesma forma que o total da amostra, ou seja, escolhe primeiramente ir aos restaurantes de serviço completo/ com garçons e em seguida frequenta os restaurantes de serviço rápido/ sem garçons.

Ao analisar o comportamento para as celebrações de aniversário e refeições do dia a dia com a família, temos uma inversão entre o primeiro local e o segundo. Enquanto para a amostra total há maior incidência de escolha respectivamente do restaurante de serviço completo na ocasião de celebração de aniversário e para o restaurante de serviço rápido nas refeições do dia a dia, para a classe C temos o primeiro local sendo em casa nestas duas ocasiões.


Outra ocasião que temos diferenças é a da alimentação pressionada pelo tempo. O serviço rápido é o local mais frequentado (38% total x 32% classe C), mas o segundo lugar diverge. Para o total da amostra é no restaurante de autosserviço (29% total x 20% classe C), e para a classe C é “em casa” (23% amostra total x 31% classe C).

Depois de explorarmos estas ocasiões nas quais o consumidor frequenta os locais para se alimentar, perguntamos aos consumidores se eles ou seus familiares faziam pedidos de delivery (ou take away - retirar o pedido no estabelecimento). Na amostra total a resposta foi positiva para 80% do total. Já para a classe C o número caiu um pouco, para 71%. No entanto, ambos são muito significativos, indicando este hábito de comer fora do local (em casa, no trabalho, onde quiser) comida preparada em estabelecimentos de foodservice atinge todas as classes A, B e C, com maior incidência na A (94%) e na B (83%).

Em resumo, compreendemos que as motivações são semelhantes entre as classes sociais, porém os dados de frequência dos diferentes consumidores nos estabelecimentos que preparam refeição fora de casa nos apontam hipóteses de ordem econômica e de acesso, para uma menor incidência de frequência fora do lar, do que dentro do lar, na Classe C.

Para que possamos nos aprofundar um pouco mais nos hábitos e preferências, a pesquisa abordou também quais culinárias que os consumidores preferem comer em restaurantes, cafés, padarias, bares e similares, para as 15 culinárias ou pratos mais significativos.

Em um primeiro bloco, composto por Pizzas, Sanduíches (hamburgueres, cachorro-quente, wraps e outros), não há diferença significativa para a amostra total e para a Classe C. Cerca de 30% dos consumidores preferem consumi-los nos locais, seguido por comprá-los no delivery (50% para pizzas e outros 37% para sanduíches). Portanto, estas culinárias são preferencialmente consumidas no foodservice, seja no local ou por delivery, pelos respondentes, independentemente de classe social.

Em um segundo bloco, composto por Açaís, Sorvetes, Cafés. Chás, Sucos. Vitaminas (e similares), Bolos e Doces, Massas, Saladas e Pokes, Comida Brasileira caseira, Comida Vegana e Vegetariana as diferenças de hábitos são leves, cerca de 5 a 6 pontos percentuais menor em incidência de preferência para consumi-las fora de casa para a Classe C com relação ao total, porém, mantendo o hábito de preferir consumir estas culinárias no foodservice, variando entre 9 e 41%, dependendo da culinária.

E no terceiro bloco, composto por Comida Asiática (chinesa, japonesa etc.), Grelhados/Churrascos/Espetos, Culinárias Internacionais (Árabe, Mexicana, Portuguesa etc.), Peixes e Frutos do Mar e a Culinária Brasileira Regional (nordestina, mineira etc.), a diferença se amplia para entre 9 e 13 pontos percentuais menor em incidência de preferência para consumi-las fora de casa para a Classe C com relação ao total, porém, mantendo o hábito de preferir estas culinárias no foodservice entre 19 e 29%.

Para finalizar, temos uma diferença importante no hábito de consumo de 3 tipos de culinária, que merecem investigações mais profundas para compreender as oportunidades e motivações: a classe C indica que 65% não consomem culinária vegana/ vegetariana, 58% respondem que não consome culinária asiática (chinesa, japonesa etc.) e 52% dos respondentes da Classe C indicam que não consomem culinárias internacionais (árabe, mexicana, portuguesa, entre outras). As causas ou motivações podem ser associadas ao conhecimento da culinária, acesso à experimentação ou econômico.

Pudemos perceber que ao deixar uma pergunta em aberto, em relação aos ingredientes ou pratos que os tinham surpreendido positivamente nos 3 últimos meses que antecederam à pesquisa, PEIXE CRU ficou entre os itens mais citados, além de Pimenta, Páprica, Açafrão e Açaí. Talvez isso indique a falta de conhecimento e experimentação de algumas culinárias, como a japonesa, além do acesso econômico.

Para fechar a pesquisa, perguntamos às 1.045 pessoas o que pediriam aos donos de restaurante. As duas principais respostas foram associadas ao lançamento de produtos mais baratos e gostosos e ao não sacrifício da qualidade, sendo mais relevantes a questão do acesso econômico vir junto com o sabor para os respondentes das Classes B e C, e a questão da qualidade para os respondentes da Classe A.

Como conclusão inicial, identificamos que a Classe C é relevante em seu hábito de consumir alimentação preparada fora do lar, seja no consumo no local ou fora do local dos estabelecimentos, e há uma diversidade de culinárias e ocasiões de consumo mais preponderantes.

Em um momento em que se discute aspectos importantes da reforma tributária em nosso país, olhar as necessidades desta classe social e os pedidos que fazem aos donos de restaurante nos revelam que nosso trabalho de manter o setor o mais competitivo possível, com acesso às tendências e inovações para redução de desperdícios, preservação do sabor e da qualidade dos alimentos e proporcionar custos menores é muito importante e merece atenção de todo nosso mercado para que haja prosperidade no setor de alimentação preparada fora do lar (foodservice).

Mais informações sobre a Pesquisa podem ser encontradas em https://galunion.rds.land/pesquisa-com-consumidores-galunion-6edicao-2022

Caso desejem saber mais, entrem em contato com sgalante@galunion.com.br ou pelo site www.galunion.com.br.

(*) – Classificação por classes pelo Critério Brasil, da ABEP. Mais informações em https://www.abep.org/criterio-brasil

Sobre Simone Galante
É fundadora e CEO da Galunion, consultoria especializada em alimentação fora do lar e catalisadora de conhecimento, network e inovação em prol dos negócios e dos profissionais do setor. A Galunion atua em projetos de consultoria e estratégia, estudos, missões técnicas, eventos e soluções inovadoras. Engenheira de alimentos, Simone tem mais de 25 anos de experiência no mercado de foodservice. Pela Galunion, realizou mais de 270 projetos customizados de consultoria para empresas e associações líderes do mercado brasileiro de alimentação fora do lar.   
 
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